Pisares


Noiserv – FNAC Santa Catarina, Porto

nullFoi meramente por acaso que ouvi o trabalho de David Santos, mais conhecido nas lides musicais por Noiserv. No dia 24 de Janeiro de 2009, o artista deu um showcase na FNAC Santa Catarina, do Porto.


One Hundred Miles From Thoughtlessness é um nome complexo para um álbum de canções. A sonoridade remete-nos para isso mesmo. São cantigas criadas num ambiente sombrio e intimista, que exige auto-reflexão. Noiserv é alternativo e acústico, com uma vertente indie, a que consigo rapidamente assemelhar ao experimentalismo de David Fonseca.


David não tem uma presença segura, mas abstrai-se à medida que disseca cada som e cada expressão das suas canções em bonitos momentos melodiosos. No seu trabalho, Noiserv faz-se valer de caixas de música, pequenos ruídos mundanos, sintetizadores e xilofones, que exibem a cada nova canção o retrato do seu autor. Nota-se a honestidade com que o cantor revela todo seu âmago, com uma conotação lúgubre, que faz com que seja difícil o público não se emocionar.


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David Santos é apenas um rapaz e é isso que traz a novidade e o divertimento da sua música. A espontaneidade e inocência estao lá, o talento também. Vale a pena estar atento a Noiserv.


http://www.noiserv.net/


http://www.myspace.com/noiserv



http://www.lastfm.com.br/music/Noiserv

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Nneka - Casa da Música, Porto


Sendo a segunda vez que a jovem cantora nigeriana, Nneka, vinha a Portugal (a primeira foi no festival Sudoeste), era com alguma curiosidade que no dia 27 de Outubro me dirigi para o seu concerto na Casa da Música, Porto.

Nneka é mais que uma cantora. Nneka é uma voz política e de intervenção, que faz mais do que mostrar a sua música e foi dessa forma interventiva que a cantora se mostrou durante todo o concerto. De aspecto aparentemente singelo, com ar de menina rebelde, Nneka surgiu no palco da Sala 2, da Casa da Música, pequeno auditório, dado a este género de espectáculos. Sendo mais do que possuidora de uns dotes vocais invejáveis, Nneka canta as suas músicas, quase que seguindo um ritual de explicação das mesmas. E é nisso que Nneka difere de outras cantoras soul: a jovem nigeriana conseguiu criar um ambiente de convívio entre o público, mantendo uma conversa divertida e por vezes emotiva.

Nneka apelou diversas vezes para temas como a tolerância e o amor, sendo digna de nota, a altura em que, descrevendo o amor de forma bastante completa, a cantora sugeriu que todos "comessem amor, digerissem amor e... cagassem amor" (segundo palavras da própria). E o curioso é que nada disto foi dito com tom de malícia, como que sabendo de antemão que iria dizer algo chocante para alguns. Nneka fala como uma criança, de coração e mente abertos, mas com uma consciência social e política madura e acima da média. A cantora não se coibiu falar sobre os problemas de corrupção existentes na Nigéria, especialmente devido à exploração abusiva de petróleo no delta do rio Níger, local onde nasceu e cresceu.

A nigeriana não é dada a grande exposição pública, sendo que raras vezes se expunha a grandes planos ou focos, como que estando constantemente no seu pequeno mundo, tentando sentir e sofrer a sua própria música. Nneka deu primazia, sobretudo aos membros da sua banda, aos quais se notava que possuía uma grande intimidade.

Detentora de uma voz inconfundível, Nneka surgiu maioritariamente com temas do álbum No Longer At Ease, mas também nos brindou com muitos bons temas do seu disco de estreia Victim of Truth. À banda, composta por um baixista, um teclista, um baterista e um guitarrista, nota-se que lhe é permitido explorar a sua criatividade momentânea, havendo espaço para frequente improviso. Durante aquilo que se pode considerar um intervalo, momento este em que Nneka abandonou o palco, houve lugar para um tema cantado pelo próprio teclista. O improviso notou-se também pelo alinhamento, que não era rígido, mas que ia surgindo e sendo escolhido pela cantora, à medida da ocasião. Temas como Gipsy, The Uncomfortable Truth (que em bom português popular basicamente significa "faz aquilo que digo, mas não faças aquilo que faço"), Confession, o acústico Come With Me fizeram parte desse mesmo alinhamento.

Uma das surpresas da noite aconteceu quando Nneka e a sua banda nos brindaram com novo tema, ainda não editado e composto há cerca de um mês durante a sua digressão. Este tema, de carácter forte, assenta nas raízes do reggae, do soul, com uma grande noção de ritmo latino, quem sabe até flamenco. Suffri, Heartbeat, Beatiful e Níger Delta foram, seguramente, dos temas que trouxeram momentos mais marcantes, durante este espectáculo. Por fim, o concerto esteve para fechar com Lord of Mercy, um tema mais virado para a reflexão e meditação, uma oração de agradecimento a Deus, facto que Nneka não deixou de frisar. No entanto, Nneka ainda regressou ao palco para um encore onde cantou o tema Focus. E foi com esse mote, de mantermos a nossa mente e coração focados continuamente no nosso objectivo, que a cantora deixou o público portuense, com a certeza, sobretudo, que nos brindou com uma grande noite de música soul, hip-hop e reggae.

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Micro Audio Waves - Cinema Batalha, Porto


Os Micro Audio Waves são já um caso de sucesso no panorama da música nacional e internacional. um ano de agenda bastante completa, a banda composta pela vocalista Cláudia Efe, o guitarrista Flak (Rádio Macau) e Carlos Morgado (mais dado à componente digital) deu um concerto@optimus no dia 5 de Setembro , no Cinema Batalha, Porto.
Conhecia muito pouco da banda, limitando-me apenas ao conhecimento de uma ou duas músicas mais célebres. O auditório acolhedor recebeu a banda pouco mais tarde que a hora marcada, com Cláudia vestida de uma forma retro, apresentado a sua imagem de marca: vestuário vermelho, contrastante com a sua farta cabeleira loura. O impacto foi forte pois a postura que apresenta em cima do palco é bastante ousada, energética e ao mesmo tempo melancólica, invadindo todos numa onda muito alternativa e electrónica.
Tirando algumas músicas que não me renderam ao som, por vezes alucinado, da banda, os Micro Audio Waves deram um bom concerto dentro do género. Foi difícil, a início, convencer o público. Contudo e muito devido a músicas como Down by Flow (vencedora do prémio Qwartz, para melhor música de dança) e Shadow of Things, o público rapidamente se animou.
Micro Audio Waves apresenta um som direccionado para várias vertentes e, apesar de lhes podermos atríbuir o “rótulo” de rock alternativo, experimental e electrónico, será limitado devido à diversidade de géneros e temas que se cruzam no seu trabalho. O som da banda é rico e diverso, dentro do género electrónico, permitindo aos fãs, uma grande aceitação do mesmo.
O concerto primou pela diferença e além do trio inicialmente referido, a banda também contou com Francisco Rebelo no baixo e Fred na bateria. Os Micro Audio Waves convidaram para abrilhantar a noite, nomes de prestígio a nível nacional como DJ Ride, The Legendary Tiger Man e Rui Reininho.
Um dos pontos altos da noite foi quando a banda tocou uma cover dos velhinhos Suicide, juntamente com The Legendary Tiger Man e a ritmada Fully Connected (a minha preferida) com o sempre bem disposto e homem de espectáculo, Rui Reininho.
Uma noite alucinante e algo curiosa, mas um som que não é de todo de se descartar, tanto que os temas do albúm gravado em estúdio, não soam nada mal. Certamente, um projecto que crescerá dentro do género.

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Tiago Bettencourt & Mantha - Noites Ritual Rock, Porto


No dia 29 de Agosto foi o primeiro dia da edição de 2008 das Noites Ritual Rock, já típicas na cidade do Porto. Apesar de outras bandas que integraram o cartaz do primeiro dia, o único concerto a que assisti foi o de Tiago Bettencourt & Mantha.

O público era bastante ecléctico e pouco participativo ou não fosse este um festival gratuito no Porto. Contudo, este facto não impediu Tiago Bettencourt de dar um concerto energético, dando grande uso à sua guitarra eléctrica. Quase todos os temas tocados foram do seu álbum a solo, O Jardim, com especial referência para O Labirinto ou Os Dois. Pontuado com alguns problemas técnicos, o concerto correu sem grande participação do público a não ser algumas palmas “espontâneas” quando Tiago tocou O Labirinto, um tema mais ritmado. Um dos pontos altos do concerto foi quando tocou a bonita música O Campo, ao piano, com direito a um solo de guitarra de Tiago Maia.

Surpresas foram poucas neste concerto, que acabou por ser bastante curto em termos de alinhamento, mas os fãs de Tiago Bettencourt e dos Toranja tiveram ainda direito ao tema Laços (que levou a alguma euforia por parte do público) e o tema Fome (Nesse Sempre), com a participação especial de Sam The Kid e do seu já comumente conhecido improviso.

Um concerto fraco, especialmente devido ao público em questão e não à prestação de Tiago Bettencourt e dos Mantha.

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The Gift - Maia Act Youth Festival, Maia

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Foi com muito gosto que, já sem ver os The Gift há três meses, depois de um grande espectáculo com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, fui à cidade da Maia, ao Maia Act Youth Festival, assistir ao seu grande concerto, no dia 25 de Julho de 2008.

Já o complexo de ténis da Maia se encontrava lotado, quando os The Gift subiram ao palco, com um dos públicos mais jovens que já vi em concertos deles. Depois de um concerto mais fraco por parte da banda que os antecedeu, o pavilhão ficou ao rubro quando as luzes se apagaram e se ouviram os primeiros acordes de La Folie.

Sónia Tavares entra em palco, vestida de forma informal, mas bonita, à semelhança de tantos outros espectáculos e deslumbra todos com a sua potente voz, em Actress. Uma das grandes surpresas da noite foi a inclusão de My Lovely Mirror no alinhamento, facto que já não acontecia há algum tempo. Nesta fase já todo o pavilhão estava rendido à sua energia extrema, mas tudo isto aumentou quando Sónia começou a tocar a célebre Fácil de Entender, que deu nome a esta tour. A partir daqui, todo o concerto foi constituído por grandes singles dos The Gift: uma decisão tremendamente inteligente, com um público que vai assistir a um concerto grátis e que, muitos deles, não conhecem a fundo a banda. Curiosamente, durante o refrão de Fácil de Entender, a Sónia pediu a todo o público que levantasse os telemóveis, apenas porque “as luzes são bonitas”.

Outra grande surpresa deste alinhamento, senão a maior de todas, foi a Pure, que sofreu uma alteração, com Tiago Dias (da banda The Room 74) a mostra o que vale no tambor. De seguida, outro single: Music. Dos temas mais conhecidos de todos, esta canção levou o público a cantar em uníssono e a ficarem rendidos, especialmente quando a conclusão da música tem um toque de reggae.

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Driving You Slow, 11.33, Question of Love e Ok! Do You Want Something Simple são outros singles que a banda tocou e pelos quais agarrou o público; especialmente porque esta última tinha um pouco do refrão de uma música de 50Cent, pelo que levou os mais novos a vibrarem com Sónia.

645, o novo single da banda, ainda não é conhecido do público em geral, mas todos concordamos que fornece um tremendo orgasmo musical e visual a todos. Também a mais electrónica, In Repeat (do álbum Lisboa) põe todo o pavilhão a dançar, especialmente com o final ao melhor estilo de Arcade Fire.

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Uma das músicas que mais deixa morrer o público no seu geral é Nice and Sweet (uma das músicas novas, incluída no álbum Fácil de Entender), mas que, nesta ocasião, deixou Nuno Gonçalves brilhar com o seu solo de guitarra eléctrica.

Por fim, outro grande momento da banda foi quando tocou a So Free (3 Acts), que acabou por deixar a grande maioria dos adolescentes absolutamente surpreendidos ao verem o instrumento de Nuno Gonçalves… o seu famoso theremin.

Além disso, os The Gift não nos podiam deixar com um toque diferente, ao divulgar uma outra preferência musical da banda. Sónia Tavares ficou com a sua voz plenamente enquadrada ao cantar o refrão de Enjoy the Silence, dos Depeche Mode.

Este foi um concerto muito divertido e tremendamente surpreendente a nível de alinhamento, especialmente neste tipo, conhecido como “concerto de terrinha”. Uma mostra do seu valor e energia.

Alinhamento:

- La Folie
- Actress
- My Lovely Mirror
- Fácil de Entender
- Pure
- Music
- Driving You Slow
- 11.33
- 645
- Ok! Do You Want Something Simple?
- Question of Love
- In repeat

1.º Encore:

- In Repeat
- Nice and Sweet
- So Free

2.º Encore:

- Music

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The Moss - FNAC Norteshopping, Matosinhos

Mais um showcase na Fnac Norteshopping em Matosinhos, no passado dia 23 de Maio de 2008, desta vez com a actuação de The Moss.

Hugo Moss aparenta um ar tímido e um jeito humilde, mas quando canta as coisas são um bocadinho diferentes. Não é que este tenha dado um espectáculo extremamente vibrante, no entanto, nota-se que quando canta ganha um ar apaixonado pelo que faz, deixando-se levar por completo ao som da música.

O seu som oscila entre o folk, o country americano e o blues. Uma voz simples, mas agradável de se ouvir, com letras bem escritas e interessantes e uma composição suave. The Moss toca guitarra acústica e, quando o momento o exige, toca também harmónica, de forma a conjugar-se bem com o espírito folk. O showcase limitou-se a cerca de quatro músicas apenas, contidas no seu EP de estreia, com título homónimo, no entanto foi uma meia hora de boa música e uma grande descoberta

www.myspace.com/hugomoss

www.themosspage.blogspot.com

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Mais uma vez o Pavilhão Municipal de Vila Nova de Gaia (que já recebeu nomes como Waterboys e Peter Murphy), foi palco de um grandioso espectáculo no dia 21 de Maio de 2008.

Joe Cocker subiu ao palco passavam pouco das 22 horas, pronto para dar uma excelente noite a milhares de pessoas. Maioritariamente entre os 40 e os 50 anos, as mulheres dançavam as sedutoras coreografias das músicas e os homens, de cabelos brancos, vibravam ao som do rock de Cocker.

Notou-se que Joe Cocker sente necessidade de mostrar que está vivo. De pose mais contida que antigamente, com um ar mais envelhecido, barba e cabelos brancos e uma voz mais fraca (mas mesmo assim charmosa e potente), Joe Cocker deu um grande espectáculo.

Cocker cantou o clássico “You are so beautiful“, com algumas falhas na voz, que prontamente o público ajudou a abafar. As bancadas levantaram-se em peso aos primeiros acordes de “You can leave your hat on“, que ficará sempre associada à chama sedutora do artista. “Up where we belong“, “Summer in the city“, “Come together” e “Unchain my heart” foram outros temas que foram recebidos em êxtase.

Um ponto de elogio neste espectáculo foi, acima de tudo, a excelente banda com a qual Cocker se fez acompanhar. Um guitarrista, um saxofonista e uma baixista fizeram a grande parte do trabalho principal para este ter sido um grande espectáculo.

Sem dúvida, uma noite divertida e bem passada.

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Fado em Si Bemol – FNAC Norteshopping, Matosinhos

Fado em Si Bemol fizeram um showcase no dia 18 de Maio de 2008, na FNAC Norteshopping em Matosinhos. Não conhecia, mas foram bastante do meu agrado.


O grupo é constituído por Miguel Silva (guitarra portuguesa), Paulo Gonçalves (viola), Pedro Silva (contrabaixo), Paulo Coelho (percussão) e Pedro Matos (voz). Fado em Si Bemol tem uma nova sonoridade de fusão, entre o jazz, o fado e a bossa nova, um cantar alegre e inovador.


O vocalista Pedro Matos é detentor de uma potente voz, adequada a todos os estilos, mantendo ao longo de todo o espectáculo uma performance de entertainer.


Cantaram cantigas como o Fado Português, o Fado de Coimbra (com uma excelente adaptação do tema Saudade, de Cesária Évora) e A Moda das Tranças Pretas. Tudo de uma forma divertida, misturando o jazz e o soul, com o fado categórico.


Uma banda seguramente a não perder, cuja curiosidade me leva a querer comprar o novo CD.


http://www.myspace.com/fadoemsibemol


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Qwentin – FNAC Santa Catarina, Porto

Não sou grande fã do género, mas a banda Qwentin, que actuou na FNAC de Santa Catarina, no Porto, no dia 28 de Abril de 2008, surpreendeu-me.
Os Qwentin não são uma banda comum e muito menos têm um som comum. A banda é composta por quatro membros, com nomes artísticos: Drepopoulos Qwentinsson (baixo), Gospodar Qwentinsson (guitarra, voz), Morloch Qwentinsson (programações, teclados), Qweon Qwentinsson (guitarra, voz) e Bárány Qwentinsson (bateria).
O espectáculo tem uma componente muito teatral, bastante dramatizado, facto verificado pelo vestuário usado em palco: fato e saia negros. Aliás, o preto é a sua imagem de marca, visto que todos eles surgem maquilhados, olhos e unhas com o negro como elemento dominante.
No entanto, a banda não se distingue simplesmente pela forma como surge em palco, sendo que a diferença reside precisamente no som. Qwentin surge entre o rock e o punk, sem sequer chegar a um deles, ou talvez até superando estes dois géneros, para algo extremamente alternativo. Os dois guitarristas/vocalistas têm uma voz agradável e que se ajusta perfeitamente ao género musical. Cantam em sete línguas diferentes: castelhano, inglês, português, francês, italiano, holandês e esperanto. Mas poderia até afirmar uma oitava língua, a interpretativa, que é usada várias vezes para dramatizar ou teatralizar as músicas.
Apesar de o showcase ter sido breve, deu oportunidade de ouvir algumas das suas músicas, entre as quais a potente Fatalidad ou a contagiante Uomo Tutto. Um concerto, no mínimo surpreendente e intrigante, uma sonoridade a investigar.

www.qwentinband.blogspot.com

www.myspace.com/qwentin
www.qwentin.com

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The Gift & Orquestra Metropolitana de Lisboa - CC Vila Flor, Guimarães

Há 14 anos que os The Gift encontram forma de evitar a estagnação e de se re-inventarem. Um concerto com uma orquestra de renome seria o culminar dessa re-invenção. Surgido de um convite por parte da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a banda de Alcobaça aceitou partilhar o palco com a Orquestra Metropolitanade Lisboa em três concertos inéditos. Um deles foi no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o qual eu tive prazer de assistir.

A curiosidade e ansiedade seria muita. Conseguiriam eles superar-se a si próprios e proporcionar um momento único na história da banda? Conseguiriam adaptar as novas músicas, por si só tão fortes e ritmadas, que à primeira vista pareceriam nada ter a ver com arranjos orquestrais? Que tipo de alinhamento utilizariam: sobretudo singles ou retomariam às origens? Posso dizer que tudo foi melhor do que poderia imaginar.

Depois de uma corrida às bilheteiras, finalmente havia chegado o dia 11 de Abril. Já passavam quinze minutos das 22 horas, quando os elementos da orquestra surgiram em palco, vestidos a rigor, afinando os seus instrumentos. Instantes após o maestro Pedro Neves aparecer, ouvem-se os primeiros acordes de How the end... always end, do velhinho álbum Vinyl. Sónia Tavares encantou toda a plateia, com a sua portentosa voz, com um bonito e vistoso vestido armado preto, enquanto o compositor da banda, Nuno Gonçalves, brilhava no seu piano.

Are you near?, do álbum AM e das músicas mais fortes que os The Gift já compuseram, foi a que mais surpreendeu. Num registo completamente diferente do habitual, a música surgiu num lindíssimo arranjo de cordas que arrepiou todos os presentes.

Músicas que raramente são tocadas nos concertos da banda foram também aproveitadas de uma forma exímia por Nuno Gonçalves e Pedro Neves, como o caso de Love Boat (Vinyl), Elisa (AM), Next Town (Film), Wake Up (AM), Waterskin (Film) e Weekend (Vinyl). Caso para realçar que os arranjos de Love Boat e Weekend elevaram o espectáculo a um musical da Broadway, tal o ambiente que surgiu em todo o auditório.

Outras músicas foram igualmente estarrecedoras, como a minha preferida desde sempre, Actress, com o coro a dar o seu toque final, ou a irreconhecível Butterfly, sem o seu som electrónico, mas igualmente fantástica. O sucesso Fácil de Entender fez lembrar os primeiros tempos em que a Sónia e o resto do grupo ainda se sentiam relutantes em cantá-la em público, com medo que não fosse bem recebida, unicamente com o Nuno ao piano, acompanhado pela voz singular da vocalista. Ok! Do you want something simple? primou por um arranjo mais maduro, ao qual o público pareceu reagir de uma forma entusiasta e no qual todos membros da orquestra participaram com um forte grito de "OK!". Music foi outra surpresa do espectáculo. Um single repetido tantas vezes até à exaustão, acabou por ser refrescante numa noite como esta. Como não podia deixar de ser (ou não fosse a CGD a mentora do concerto), mais uma vez o Hino da Caixa combinou muito bem com a potente canção 645, num dos momentos que mais levou a plateia ao rubro.

Ao fim de Wake Up, a plateia permaneceu sentada, sabendo que a noite não podia ficar por ali e fortaleceu a sua satisfação com uma grande salva de palmas. Assim se deu início ao primeiro encore da noite, que levou a momentos absolutamente extraordinários, com a aparentemente esquecida Waterskin, a quase teatral Weekend ou a inebriantemente alegre In Repeat, com um final ao género de Arcade Fire.

No fim, já num segundo encore, Sónia Tavares convidou todos a se levantarem e dançarem o último single 645, com uma energia que levou todo o público a vibrar.

Uma noite memorável e dificilmente repetível, que merecia ser editada em DVD, onde toda banda e também a maravilhosa Orquestra Metropolitana de Lisboa e seu maestro, foram aplaudidos de pé, por longos momentos.


Como nota, apresento o alinhamento do espectáculo:

- How the end... always end.
- Are you near?
- Love Boat
- Actress
- Elisa
- Next Town
- Butterfly
- Front Of
- Fácil de Entender
- Ok! Do you want something simple?
- Hino da Caixa/645
- Music
- Wake Up
1.º Encore:
- Waterskin
- Weekend
- In Repeat
2.º Encore:
- 645

Fotos by: Xucra.
Vídeos do concerto no Coliseu de Lisboa - http://thegiftportugal.blogspot.com/

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David Fonseca e Rita Redshoes – Theatro Circo, Braga


Se há coisas para as quais me faltam palavras para as descrever, uma delas foi o concerto de David Fonseca no Theatro Circo em Braga (16 de Fevereiro 2008).
theatro1.jpg Posso começar por aquela que a meu ver será a sala de espectáculos mais bonita de Portugal: O Theatro Circo, em Braga (recentemente remodelado). O aspecto de salão de baile da época colonial, numa cosmopolita França ou Londres do século XVI, deixa antever suspiros de admiração. A riqueza dos ornamentos a folha dourada, as escadarias com passadeiras vermelhas, os fantásticos frescos pintados e os exuberantes lustres, aliados ao conforto dos assentos do auditório, tornam o local propício a espectáculos.
As luzes apagam-se e do lado esquerdo do palco surge um David Fonseca, trajado a rigor, de lacinho e de óculos, apresentando Rita Redshoes, como a belíssima e encantadora, portadora de uma portentosa voz. A jovem teclista da banda de David Fonseca, iniciou mais uma vez o espectáculo, com o vermelho como o ambiente predominante nuns sapatos ou numa gravata vermelha. Rita Redshoes divide-se em teclas, guitarra e voz e assume uma grande expressividade em palco, interpretando as canções de uma forma algo infantil. Foram-nos apresentadas algumas das canções do seu primeiro disco “Golden Era”, como o primeiro single “Dreams on Girl” e “Hey Tom”. O final da sua actuação deixou todos em suspenso, com a saída gradual dos membros da banda até ela ficar sozinha em palco.
De seguida, David controla a atenção de todos, surgindo pela porta da entrada, lado a lado com o público e cantando “Dreams in Colour” do álbum homónimo. David Fonseca cantou todos os temas deste seu novo álbum e a grande maioria das canções dos álbuns anteriores. De todo o concerto, posso destacar a genialidade do cantor e letrista, como uma fábrica de ideias e excelente entertainer. Um deles foi quando o cantor surge num palco completamente escuro, com uma lanterna na mão, cantando “Song to the siren”, um momento claramente bonito e emotivo. Raras foram as vezes em que não me arrepiei ou que não fiquei emocionado, quase de lágrimas nos olhos. “Who Are You”, “Eu Não Sei Dizer” (ainda dos Silence 4), “All Day and All Night” “Someone That Cannot Love” (considerada pelo cantor, como das suas músicas mais marcantes), “Adeus não afastes os teus olhos dos meus” (com uma projecção lindíssima), “Hold Still” (com Rita Redshoes, numa ode à solidão, inicialmente nas cidades e agora no geral), “You Make Me Believe”, “This Raging Light”, “Silent Void”, “Kiss Me, Oh Kiss Me” e “The 80’s” foram das canções mais marcantes.david11.jpg
O momento mais intimista foi quando o artista se sentou sozinho no palco à conversa com o público, contando estórias de escuteiros, trauteando Céline Dion e fazendo comentários sarcásticos acerca do hi5.
David Fonseca surpreendeu também pela quantidade de covers que tocou. Apesar de não me lembrar de todas, ouvi uns acordes de Space Oddity (David Bowie), tocou também o single Rocket Man (Elton John e incluída no novo álbum), uns acordes de uma música dos Blues Brothers, “Video Killed Radio Star” (The Buggles), “Billie Jean” (Michael Jackson) e “Song to the siren” (Tim Buckley).
As projecções em formato de câmaras de vídeo-vigilância, que focava cada membro da banda e por vezes o público ainda deram mais impacto ao espectáculo.
Foram três horas muito bem passadas com Rita Redshoes, David Fonseca e a maravilhosa banda, na sala de espectáculos mais bonita do país onde, por fim, nos foi mostrado que afinal, somos todos “Superstars”.
david31.jpg

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O Jardim – Tiago Bettencourt & Mantha

Depois de conhecer algumas das músicas do novo álbum de Tiago Bettencourt (ex-vocalista dos Toranja), intitulado “O Jardim”, a expectativa do seu concerto ao vivo era alta no dia 8 de Dezembro. Depois de muitos concertos a solo dados em lojas FNAC por todo o país, chegou a altura de o Teatro Sá da Bandeira em Santarém receber a sua digressão com os Mantha.
Falando do trabalho em si, o álbum “O Jardim” foi gravado em Montreal, por Howard Bilerman, produtor de “Funeral” dos canadianos Arcade Fire. Não é um álbum fácil, dada a simplicidade que (à primeira vista) parece excessiva e está patente no single de lançamento “Canção Simples”, com rimas fáceis e óbvias, chegando a roçar o infantil. No entanto, numa segunda observação atenta notamos que o álbum não tem uma linha condutora, o que o faz parecer disperso, mas apresenta o típico de Tiago Bettencourt: a excelência das palavras, filigrana das composições musicais, o significado maior de uma canção que poderia ser nossa. É um álbum de temas e não de um único conceito, o que o torna um aglomerado de ideias. Apesar de tudo é um álbum genial, com temas como “Labirinto” e “Amanhã” com uma força impetuosa e as típicas baladas melancólicas como “Noite Demais” e “O Lugar”. O álbum possui também uma faceta nova, mais irónica e ácida, registada nos temas “Os Dois”, “A Praia”, “Fim Da Tarde” e “O Campo”. A pérola chega-nos na composição “Outono”, uma balada em tons suaves, compassados pelas teclas do piano, que nos leva ao suspiro e nos embala. Por fim, a surpresa vem na última faixa, onde está escondida novamente a “Canção Simples” num dueto com Sara Tavares.
Em termos de espectáculo, o mesmo primou pela simplicidade e intimidade com que Tiago Bettencourt tocou e cantou. Belamente acompanhado pelos Mantha (dois membros), levou-nos a novos ritmos, com o piano, guitarra acústica e guitarra eléctrica. Apesar de o som estar demasiado alto, o que abafava a sua voz e das palmas constantes que o interrompiam a ponto de ele se rir e desistir de cantar, o espectáculo foi muito bom. Do Tiago Bettencourt ficou a ideia de ser o típico “gajo porreiro”, que esbanja simpatia e elogios a troco de um humor irónico, a ponto de lhe apetecer bater a quem bate palmas. Brindou-nos também com três novas versões de músicas ainda dos Toranja: Laços, Fome e Carta.

Hoje só por ser Outono
Vou chamar-te meu amor
Contra as regras do que somos
Vou chamar-te meu amor
Hoje só por ser diferente te encontrar
É tanto fado contra nós
Mas nem por isso estamos sós
Embora fique tanto por contar
Hoje só por ser Outono vou.


Outono - Tiago Bettencourt e Mantha

www.tiagobettencourtemantha.blogs.sapo.pt
www.myspace.com/tiagobettencourt

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The Gift - Feira de S. Mateus

O concerto dos The Gift, ontem, dia 1 de Setembro, na Feira de S. Mateus, surpreendeu-me muito pela positiva. Foi simplesmente fantástico! Ganharam uma fã; nunca pensei que fosse gostar tanto de tudo aquilo. Faço das palavras do Tiago, na crítica do concerto no Casino da Figueira, minhas. Porque foi maravilhoso! Foi o último concerto antes do Festival Vodafone no Pavilhão Atlântico. A Sónia com a sua voz brutal, a animação, os aplausos, as músicas que nunca tinha ouvido e que adorei, o Nuno com os inúmeros sorrisos e brincadeiras! De facto, os The Gift sabem como fazer boa música e fico feliz por termos bandas desta qualidade em Portugal.
I’m doing it for music,
I’m doing it for love,
I’m doing it for everyone around me.

The Gift

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The Gift - Casino da Figueira

 Provavelmente sou suspeito por ser um grande fã dos The Gift, mas a realidade é que o concerto que deram no dia 16 de Agosto de 2007 no Casino da Figueira da Foz foi surreal. Nunca tinha ido àquele recinto e fiquei deslumbrado pelo ambiente formal em que nos sentamos, com todas as luzes e o tecto tão belamente pintado, com uma cúpula assombrosa.

Já não foi a primeira vez que tinha assistido a um concerto dos The Gift, mas este bateu todos os outros. Senti-me um privilegiado por ter sido o primeiro concerto em Portugal, depois de terem andado por Espanha e pelo festival Santander. Por volta das 23 horas, com a sala lotada, ouviram-se os primeiros acordes de "La Folie" e todos os membros da banda foram aplaudidos, mas quando Sónia Tavares entra e canta  "Actress", toda a sala sustém a respiração, totalmente maravilhados com a potência da sua voz. Sempre muito bem disposta, e mais um vez extremamente bem vestida, a Sónia e também o Nuno foram abrilhantando a noite com palavras de carinho para com o público.

A plateia conhecia de cor todas as músicas, mas cantaram especialmente a uma só voz o sucesso "Fácil de Entender" em português. Todas as músicas sofreram alguns arranjos diferentes dos originais, gerando um momento bastante intimista. Clássicos como "Clown", "Dream wiht someone else's dream", "Music", "Driving you slow", "My Lovely Mirror", "11.33", "OK! Do you want something simple" e as novas músicas "In Repeat" e "645" não foram esquecidas. Momentos  inesquecíveis que deixaram muitos estupefactos e outros com lágrimas no canto do olho. Regressaram ao palco três vezes, visto que toda a sala cantava à capela algumas músicas, mesmo quando eles se iam embora.

Por fim, cantaram novamente "Fácil de Entender" e todos saíram com a certeza de os the Gift serem uma grande banda e de o seu concerto ter sido o melhor do ano no Casino da Figueira. Uma noite memorável, concerteza.

The Gift @ Casino da Figueira 2007

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Keen on Keane

São apenas três - Tom Chaplin (voz), Richard Hughes (bateria) e Tim Rice-Oxley (piano) - mas o resultado é simplesmente fabuloso.
Descobri os Keane quando ouvi a Somewhere Only We Know na rádio, em 2004, nas suas primeiras passagens. Apaixonei-me logo pela música e, uns dias mais tarde, comprei o primeiro CD, Hopes and Fears. Ouvia-o vezes sem conta. Acabava e voltava a pôr no início. Todas as músicas têm alguma coisa para contar, todas elas me fazem sentir nas nuvens.
Com o segundo álbum, Under the Iron Sea, reforcei a certeza de que os Keane são uma banda que me faz realmente bem!
No dia 3 de Agosto, o concerto no Porto foi maravilhoso. A simpatia da banda, as palavras, as luzes, o palco! Tom Chaplin e nós, o público, cantámos em absoluto uníssono os maiores sucessos dos dois álbuns: Somewhere Only We Know e Is It Any Wonder, assim como Bend and Break! Demais. Adorei!
De facto, os Keane ocupam um lugar muito muito muito especial aqui dentro. Três rapazes que começaram a tocar em férias, no meio de muitos jogos de futebol! Um pianista, um baterista e um vocalista. Fantásticos!

I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?

Keane, Somewhere Only We Know

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