A Libertação de Nancy
0 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em quarta-feira, 9 de Setembro de 2009 às 17:26.O filme que em português recebeu o título A Libertação de Nancy é um verdadeiro "murro no estômago", que pode ser confundido com uma total imprudência por parte do realizador. Centrado numa única personagem com um passado problemático, o filme aborda temáticas como a rotina do casamento, o sado-masoquismo ou a auto-mutilação.
Apesar de o título original, Downloading Nancy, poder indiciar isso, este filme é muito mais do que um mero aviso aos perigos da Internet. Aqui repensa-se a vida e a morte, numa trama extremamente densa e complexa. Nancy sente a vida como que está preso no sítio errado e procura a saída. A saída, para ela, encontra-se em cada corte infligido a si própria, na falta de oxigénio, na tortura física, na morte. Tudo é melhor que a dor interior, que a falta de sentido da vida e do seu eu interior.
A dor da personagem principal cria uma interessante metáfora em favor da própria vida. Apesar de poder constar o contrário, Nancy acaba por ser a personagem mais viva e honesta de toda a trama e talvez quem deseja mais a vida. O seu marido acaba por viver uma vida que na realidade não existe, enquanto que Louis vive preso ao passado. Enquanto que estes dois se prendem a algo fictício, é Nancy que se revela uma pessoa extremamente humana que, na verdade, procura sobreviver.
Na verdade quem mais se destaca é Maria Bello, numa prestação profunda que exigiu muito de si enquanto actriz. É o seu desempenho que eleva o filme a um patamar mais superior do que realmente é. Pena que a actriz participe apenas em filmes independentes menos populares que não lhe garantem os merecidos créditos.
O excelente trabalho de fotografia de Christopher Doyle dá também outro significado à narrativa. O cinematógrafo que foi responsável pelo trabalho de fotografia em Paranoid Park (2007) ou do recente The Limits of Control (2009), cria uma paleta de cores depressivas, com uma iluminação propositadamente monótona, ao ponto de quase conseguir inflingir no espectador, a mesma dor da protagonista.
A Libertação de Nancy é o drama de uma mulher à beira do abismo que garante momentos doentios, de profunda inquietação e que nos deixa completamente desgastados. É um murro no estômago profundo, um ensaio bizarro e estranho que só deverá ser visto por pessoas menos sensíveis.
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Existe nas personagens principais do filme uma noção comum de alienação, solidão e inadaptação que conferem os primeiros passos de terror onde o filme se consegue diferenciar. Existe uma discriminação comum às duas crianças, em patamares diferentes, mas que servem de união e que criam a imagem de um dos mais bonitos e negros romances da história do Cinema. E é precisamente na história deste romance diferente e complexo entre duas crianças que se cria um cenário elegante para uma história visualmente terrífica, longe dos clichés habituais do género.
Com uma temática que provoca muitas comparações a Twilight (2008), Let the Right One In é infimamente superior em qualidade artística e argumentativa. No que diz respeito à fotografia, este é um bom exemplo de um visual perturbadoramente tranquilo e ao mesmo tempo frio e cru. Longos e estáticos planos são frequentes no filme que conferem um grande realismo poético a toda a trama. E este andamento da câmara por vezes demasiado estático serve para contrabalançar algumas das cenas fortes do filme que transmitem um novo significado ao horror.
Esta plasticidade visual do filme conjuga-se com o argumento rico, consistente e inovador. As personagens são ricamente construídas, dando espaço de manobra ao espectador para interpretações secundárias daquilo que nos é apresentado a cada cena. E estas personagens são cimentadas pelas excelentes interpretações de dois jovens actores, que se marcam como promissores no cinema nórdico.
Em Deixa-me Entrar prosperam nuances do cinema noir francês, do cinema gore muito em voge, mas subtilmente romântico e poético, num argumento amplo e espontâneo aberto a significados inteligentes, numa rara consistência no mundo cinematográfico. É longe dos clichés comuns e perto da beleza incomum das paisagens nórdicas que Tomas Alfredson vai beber a sua influência. Inova o tema dos vampiros, mas recupera alguma da sua veia gótica, para gáudio dos fãs que julgavam o género adormecido.
É certamente um dos melhores filmes do ano, que pode perder apenas pela sua narrativa extremamente lenta, adepta de alguma estagnação visual e argumentativa, mas que recupera brilhantemente desses momentos que lhe poderiam causar o declínio. É uma nova abordagem com conceitos novos, com uma estética negra que curiosamente se torna bonita.
Deixa-me Entrar é um apelo à renovação do cinema actual, que não poderemos deixar passar ao lado.
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E o interessante é que no filme não existem heróis nem vilões. A dada altura, acabamos por compreender as acções de ambas as facções e apesar de não as desculparmos, percebemos porque as fazem. Em Eden Lake, não heroísmo, há sobretudo um instinto selvagem de sobrevivência, que desde logo os primeiros minutos do filme vem sido inteligentemente despertado.
O jogo de sobrevivência que o novato James Watkins cria é competente, levando a uma noção claustrofóbica, com violência brutal e crua. O filme torna-se bastante gore, mas não gratuitamente (apesar de usar cenas cliché do género), acabando por revelar uma dimensão pedagógica imensa. Além de assistirmos à evolução da narrativa e das personagens, desde os primeiros comentários que passam na rádio, passando pela noção da professora com vocação, a mulher cobarde e a sobrevivente lutadora, indo até à convicção orgulhosa e amoral de um jovem líder.
Kelly Reilly tem uma excelente estreia no género horror movie, revelando uma capacidade de adaptação bastante positiva e uma enorme competência a nível de desempenho. Michael Fassbender, que de início não encontra o seu espaço, mas finalmente consegue revelar a degradação psicológica por que passam as personagens do filme.
Contudo, é o elenco mais jovem que merece grande parte dos louros, principalmente Jack O'Connell que nos oferece uma visão distinta, mas convergente, da vítima e do predador. E é sobretudo o olhar do jovem que causa ao espectador uma sensação sufocante, que nos apoquenta logo desde o início, que mais do que apenas uma vítima dos actos passados, revela-se um ser calculista e vingativo, que faz-nos temer as gerações mais jovens.
Geração Youtube, frutos de uma educação inconsistente, negligente e irresponsável por parte dos próprios pais que se justificam com um "são apenas crianças", Eden Lake conduz-nos a uma perturbante reflexão sobre os valores que transmitimos aos nossos descendentes. E tal como acontece muitas vezes com as personagens, o que passa para nós enquanto espectadores, é a mesma sensação enojada, próxima do vómito, ao perceber a impunidade com que muitas gerações jovens acabam por triunfar. E aquele olhar calculista de um jovem, por detrás de uns Ray Ban Aviators.
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O exercício do reboot tem sido utilizado recentemente como forma de combater a crise e renovar aquilo que em tempos já foi a galinha dos ovos de ouro e deixou de ser. E a expectativa de J. J. Abrams dar um novo fôlego à saga conduziu a toda uma série de grandes motivações, especialmente depois de sucessos como Alias, Lost, Cloverfield ou o mais recente Fringe.
E a primeira desilusão é mesmo essa. Star Trek não sobrevive a todo esse buzz que se gerou pela blogosfera, provocando-me uma certeza estranheza perante a aclamação mundial da obra. Na tentativa de tornar a obra acessível a não conhecedores da saga (como eu), o filme deu um tiro no próprio pé, reduzindo-o a um mero blockbuster no início da época estival.
O filme é ritmado, intenso, tecnicamente irrepreensível e fascinante, capaz de deixar colados ao ecrã os olhos do espectador, mas acaba por se tornar inquientantemente inconsistente, sem uma definição no argumento, mas um enorme conjunto de cenas distintas. E especialmente ao tentar agradar a gregos e troianos, ou melhor a trekkies e não-trekkies, este reboot de Star Trek caiu no erro de adoptar um tom demasiado ligeiro e fácil, que acabou por levar algumas outros franchises à ruína.
Mas nem tudo é negro. Aliás, este futuro de Star Trek é brilhante e cheio de referências agradáveis à cultura pop, com uma valorizável realização de J. J. Abrams, cenários fantásticos e sobretudo os efeitos-especiais e visuais que abrilhantam todo o filme. A sonoplastia é outro factor que não podemos descurar, recuperando alguns dos sons originais da saga, mas também a banda sonora que mais uma vez revela o trabalho do talentoso Michael Giachinno, que habitualmente trabalha em conjunto com o realizador/produtor.
A nível do elenco, destaque para a química entre Chris Pine e Zachary Quinto, tendo especialmente este último um desempenho absolutamente notável ao longo do filme. O piscar de olho a outra obra de J.J. Abrams, mas também para os mais puristas de Star Trek é a presença de Leonard Nimoy, o Mr. Spock original da série.
Contudo, todos estes pontos positivos não são suficientes para superar a imagem inconsequente de blockbuster ligeiro que trouxeram a Star Trek. Um filme que teria muito mais para dar, se não fosse este tom que lhe dá um sabor semelhante a cinema fast-food, que não perdurá nas nossas memórias.
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Seria de esperar uma determinada leveza de Duplicity que acaba por não se revelar. A longa dimensão filme (cerca de duas horas) acaba por se tornar demasiado entediante e superficial, especialmente na primeira hora da película. Contudo, a realização de Tony Gilroy é dinâmica, com recurso a planos rápidos, a split screens constantes, misturados com flashbacks e uma banda sonora intensa, criada por James Newton Howard.
Apesar de tentar surpreender os espectadores com várias reviravoltas, Dupla Sedução acaba por se engolir a si próprio, revelando demasiado cedo o golpe preparado pela dupla de espiões. Isto acaba por fazer com que o restante filme se torne demasiado prevísivel apesar das pretensões do realizador.
O ponto alto do filme é a química resultante da dupla de actores Julia Roberts e Clive Owen, que já se tinha revelado elevada no filme Closer, em 2004. E é essa provocação e charme constantes que culminam no auge da interacção entre ambos, mas que se torna muito curta. Não devemos desconsiderar, no entanto, o mérito dos papéis secundários, essencialmente Tom Wilkinson e Paul Giamatti, enquanto CEOs de empresas concorrentes, que imprimem energia e divertimento à trama e a complementam.
Dupla Sedução é um produto de entretenimento, que girando em volta de um eterno bluff das personagens, provoca essa mesma sensação no espectador, tornando-se demasiado prevísivel.
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Ele Não Está Assim Tão Interessado
0 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em sábado, 18 de Abril de 2009 às 23:13.Elaborado na forma de um manual, o filme de Ken Kwapis é baseado no livro homónimo de Greg Behrendt e Liz Tucillo (argumentistas de alguns episódios de Sex and the City). Ele Não Está Assim Tão Interessado acaba por ser uma paródia aos relacionamentos actuais.
Certamente o público feminino irá soltar algumas gargalhadas ao reconhecer-se em muitas das mais variadas situações do filme, bem como as motivações e acções masculinas acabam por ser descortinadas em alguns momentos. Estereótipos não faltam no argumento: a solteirona desesperada para encontrar namorado, a rapariga que partilha casa há vários anos, mas que só pensa em casar, a esposa feliz que acaba por ser traída, a rapariga que se envolve com o homem casado, a rapariga que vive relações pela internet, o amigo que desvenda os truques do sexo masculino e as muitas amigas com comentários do género "Ele não é homem para ti.", "Isso é porque ele tinha medo da tua maturidade emocional"...
Não é uma obra-prima, não é inovador, mas é um puro produto de bom entretenimento, que consegue levar o espectador a reconhecer-se em cada instante do filme. Seja como excepção ou regra. O tom documental que a longa-metragem assume em algumas partes do filme, garante alguns gags bastante divertidos.
O problema contudo é o excesso de estrelas no elenco, que acaba por ofuscar algumas delas, dando-lhes desempenhos completamente aquém do esperado. É uma trama de relações cruzadas, onde todos os personagens acabam por se conhecer ou envolver de alguma forma. Uma espécie de manta de retalhos de estrelas de Hollywood que peca por esse mesmo excesso. Contudo a grande surpresa do argumento foi o talento e química de Justin Long e Ginnifer Goodwin, que garante um dos pares mais interessantes do filme. Por outro lado, existe talento subaproveitado como o de Jennifer Connely, Jennifer Aniston e sobretudo, Ben Affleck, que tem um dos piores desempenhos de sempre.
O argumento é cliché, estereotipado e com mais momentos light do que se desejaria. A realização é banal, já muito vista em cinema do género. Porém, na minha opinião, vale a pena, é divertido, não promete mais do que devia. Afinal, é uma simples paródia, uma comédia. Afinal os relacionamentos humanos não são feitos de clichés? Todos nós vamos nos conseguir reconhecer no filme ou pelo menos, alguém conhecido.
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Gran Torino é desses clássicos modernos. Nunca fui grande seguidor do realizador, apesar de reconhecer o seu bom trabalho na área do Cinema. Mas este filme, é uma pequena obra-prima, que não se compreende como foi afastada dos Óscares deste ano.
A fórmula de Eastwood mantém-se a mesma. A austeridade, a simplicidade, as temáticas dramáticas, os dramas humanos, os contrastes sociais, a crítica às grandes instituições. E sempre a figura central, de contornos inconfundíveis, postura firme, visão semicerrada tal como a personagem Christine Collins, em Changeling. Gran Torino é mais que uma reflexão sobre a velhice. É o retrato de uma raiva incontida, de um senso de humor despretensioso, do significado da vida e da morte. O filme vive à base dos enquadramentos simples, da exibição perfeccionista dos pormenores onde nada surge por acaso.
Além do argumento e dos diálogos com a temática do revivalismo do passado da Guerra na Coreia, dos sentimentos racistas e xenófobos, Gran Torino vive com um soberbo trabalho fotográfico, com um excelente jogo de luz e sombra (evidenciado pelos posters do filme) corrosivo e marcante.
A história respira Clint Eastwood. Atrás e à frente da câmara, com a cartilha de normas rígidas a que já nos habituou. Sobretudo é uma história de uma amizade improvável entre duas personagens opostas e que, aparentemente, seriam inconciliáveis. Mesmo quando Mr. Kowalski rosna a quem odeia, mesmo quando abomina a decadência da juventude actual, nota-se que redescobre o significado da vida e da tolerância.
Pecado seria também não falar da banda sonora do filme, que apesar de ser reduzida ao máximo, como é habitual nos filmes do realizador, surge em momentos chave de Gran Torino, contribuindo para exponenciar a beleza da película. Destaque ainda para a sequência final, onde Clint Eastwood nos brinda como uma composição escrita e cantada por ele.
A interpretação de Clint Eastwood não vale um Óscar, mas é denotadora de como um actor deve trabalhar uma personagem. Mas o maior defeito de Gran Torino e que lhe impossibilita atingir um estatuto maior tem que ver com o erro de casting. O elenco secundário tem más interpretações ou abaixo do desejado. Bee Vang, enquanto Thao tem um péssimo desempenho: inconsistente, incoerente e inexpressivo. Já Ahney Her tem uma personagem interessante e mordaz, mas cuja interpretação poderia ser muito melhor.
Apesar desse pequeno erro, Gran Torino é um clássico contemporâneo, que merece acima de tudo um reconhecimento maior, que não chegou a obter.
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Richard Jenkins tem uma currículo extenso. Nos últimos 20 anos, participou em pelo menos 60 filmes, mas muitos deles em papéis secundários ou sem grande impacto no argumento dos mesmos. Da figura patriarcal de Six Feet Under, Richard Jenkins parte para a história de um homem que reaprende a viver. Richard Jenkins é duplamente um visitante. É quase um visitante na sua própria casa, mas também no sentido mais altruísta da palavra. O actor tem aqui uma bela interpretação, um papel que lhe coube que nem uma luva, uma prestação simples, mas poderosa.
Também Haaz Sleiman além de genuinidade estampada no rosto e em cada cena em que entra, dá ao espectador um desempenho caloroso e fresco, mesmo nas cenas mais dramáticos. Mas o destaque cai principalmente sobre Hiam Abbass, pois em todas as cenas que a actriz surge causa impacto. O seu olhar é poderoso, a postura com que interpreta as suas cenas e falas é extasiante.
Sem grandes pretensões, Tom McCarthy (The Station Agent) conduz o filme e todas as cenas competentemente, guiando o espectador através de um argumento simples, mas com um conceito importante. O Visitante transmite uma mensagem de tolerância e humildade, um conceito humanitário em vias de extinção nos nossos dias, despertando para a temática da imigração pós 11 de Setembro. Mais que ficção é uma crítica ao nosso complexo sistema burocrático e que tantas vidas deixa suspensas.
O Visitante é despretensioso, simplista e básico. Mas ao mesmo tempo apresenta um argumento consistente e coerente, a um ritmo agradável, à base de temáticas ricas, interessantes e introspectivas, num ensaio sobre o melting pot e o drama da imigração.
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O célebre caso de Watergate e do impeachment do Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon fez correr muita tinta na época, mas a polémica ressurgiu anos mais tarde quando um artista do entretenimento televisivo David Frost (na altura quase desconhecido) liderou a mais importante e popular entrevista política da era moderna.
O argumento de Frost/Nixon basea-se numa peça de teatro da autoria de Peter Morgan e tal como foi notoriamente aclamado na altura em que estreou nas salas de teatro, o mesmo se passou perante a versão cinematográfica. Muito desse reconhecimento da crítica advém da realização limpa de Ron Howard, mas também do lado humano que consegue imprimir nas personagens, com especial destaque para algumas das cenas mais marcantes da entrevista.
O trabalho de montagem a cargo de Daniel P. Hanley e Mike Hill é certamente um dos melhores dos oscarizáveis deste ano. O excelente trabalho desta dupla é conhecido desde A Beautiful Mind, Cinderella Man e The Da Vinci Code. Em termos físicos e visuais todo o panorama global resulta e muito bem naquele que se tornou um dos mais interessantes e inquietantes thrillers políticos. Da mesma forma Susan Benjamin está de parabéns por todo o set, especialmente a nível da decoração do local onde as entrevistas foram feitas, estando altamente fiéis ao sítio original.
O filme de Ron Howard segue o conceito de abordar o escândalo, mas não de forma tablóide ou abusiva, à semelhança do que o argumentista Peter Morgan fez com The Queen. Não assistimos a um rol de visões manipuláveis, como poderíamos esperar, mas as cenas em que adopta a técnica da versão documental, é uma forma de fazer o espectador acreditar naquilo que vê.
O filme brilha tanbém pela excelente interpretação de Frank Langella no papel de Richard Nixon, incorporando os maneirismos e a pose dramática do ex-presidente dos Estados Unidos. A sua voz portentosa e a sua atitude austera transmitem uma grande carga dramática a todo o filme. A sua personagem é exímia no controlo político e na manipulação dos seus ideais.
Infelizmente, apesar da importância da personagem de David Frost, Michael Sheen ficou um pouco aquém do que se poderia esperar, sem uma presença relevante, longe do seu desempenho no papel de Tony Blair em The Queen.
A grande maioria do elenco secundário está também muito bem representado por nomes como Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Kevin Bacon, Oliver Platt e Rebecca Hall. Tendo esta última tido um papel pouco relevante na trama e que mereceria ter sido mais aprofundada.
Em Frost/Nixon assistimos a um grande confronto de actores, com especial destaque para o brilhante desempenho de Frank Langella e para a edição do filme. Este é um excelente trabalho de realização que merece o estatuto de grande obra cinematográfica, peca simplesmente por nos parecer que o maior ponto de impacto se resume à célebre expressão "I'm saying that when the President does it, that means it's not illegal!"
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Noite de Óscares
0 Comentário(s) Pisado por Maria João em domingo, 22 de Fevereiro de 2009 às 14:41.
Aqui está a lista dos nomeados:
Melhor filme
'The Curious Case of Benjamin Button'
'Frost/Nixon'
'Milk'
'The Reader'
'Slumdog Millionaire'
Melhor realizador
Danny Boyle - 'Slumdog Millionaire'
Stephen Daldry - 'The Reader'
David Fincher - 'The Curious Case of Benjamin Button'
Ron Howard - 'Frost/Nixon'
Gus Van Sant - 'Milk'
Melhor actor
Richard Jenkins - ‘The Visitor’
Frank Langella - ‘Frost/Nixon’Sean Penn - ‘Milk’
Brad Pitt - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Mickey Rourke - ‘The Wrestler’
Melhor actriz
Anne Hathaway - ‘Rachel Getting Married’
Angelina Jolie - ‘Changeling’
Melissa Leo - ‘Frozen River’
Meryl Streep - ‘Doubt’
Kate Winslet - ‘The Reader’
Melhor actor secundário
Josh Brolin - ‘Milk’
Robert Downey Jr. - ‘Tropic Thunder’
Philip Seymour Hoffman - ‘Doubt’
Heath Ledger - ‘The Dark Knight’
Michael Shannon - ‘ Revolutionary Road’
Melhor actriz secundária
Amy Adams – ‘Doubt’
Penélope Cruz – ‘Vicky Cristina Barcelona’
Viola Davis – ‘Doubt’
Marisa Tomei – ‘The Wrestler’
Taraji P. Henson – ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Melhor filme de animação
Bolt
Kung Fu Panda
Wall-E
Melhor filme estrangeiro
‘The Baader Meinhof Complex’ (Alemanha)
‘The Class’ (França)
‘Departures’(Japão)
‘Revanche’ (Áustria)
‘Waltz With Bashir’ (Israel)
Melhor argumento original
Dustin Lance Black - ‘Milk’
Courtney Hunt - ‘Frozen River’
Mike Leigh - ‘Happy-Go-Lucky’
Martin McDonagh - ‘In Bruges’
Andrew Stanton, Jim Reardon, Pete Docter - ‘WALL-E’
Melhor argumento adaptado
Eric Roth, Robin Swicord - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
John Patrick Shanley - ‘Doubt’
Peter Morgan - ‘Frost/Nixon’
David Hare - ‘The Reader’
Simon Beaufoy - ‘Slumdog Millionaire’
Melhor documentário
The Betrayal
Encounters at the End of the World
The GardenMan on Wire
Trouble the Water
Melhor banda sonora
The Curious Case of Benjamin Button
Defiance
Milk
Slumdog Millionaire
WALL-E
Melhor música original
‘Down to Earth - ‘ WALL-E
‘Jai Ho’ - ‘Slumdog Millionaire’
‘O Saya’ - ‘Slumdog Millionaire’
Melhor edição de fime
Kirk Baxter, Angus Wall - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Lee Smith - ‘The Dark Knight’
Mike Hill, Dan Hanley - ‘Frost/Nixon’
Elliot Graham - ‘Milk’
Chris Dickens, ‘Slumdog Millionaire’
Melhor documentário curto
The Conscience of Nhem En
The Final Inch
Smile Pinki
The Witness - From the Balcony of Room 306
Melhor fotografia
Tom Stern - ‘Changeling’
Claudio Miranda - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Wally Pfister - ‘The Dark Knight’
Chris Menges, Roger Deakins - ‘The Reader’
Anthony Dod Mantle – ‘Slumdog Millionaire’
Melhor guarda-roupa
Catherine Martin - ‘Australia’
Jacqueline West - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Michael O’Connor - ‘The Duchess’
Danny Glicker - ‘Milk’
Albert Wolsky - ‘Revolutionary Road’
Melhor mistura de som/efeitos de som
David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Mark Weingarten - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick - ‘The Dark Knight’
Ian Tapp, Richard Pryke, Resul Pookutty - ‘Slumdog Millionaire’
Tom Myers, Michael Semanick, Ben Burtt - ‘WALL-E’
Chris Jenkins, Frank A. Montaño, Petr Forejt - ‘Wanted’
Melhor edição de som
Richard King - ‘The Dark Knight’
Frank Eulner, Christopher Boye - ‘Iron Man’
Tom Sayers - ‘Slumdog Millionaire’
Ben Burtt, Matthew Wood - ‘WALL-E’
Wylie Stateman - ‘Wanted’
Melhor curta-metragem
Auf der Strecke (On the Line)
Manon on the Asphalt
New Boy
The Pig
Spielzeugland (Toyland)
Melhor curta-metragem de animação
La Maison de Petits
Lavatory - Lovestory
Oktapodi
Presto
This Way Up
Melhor caracterização
Greg Cannom - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
John Caglione, Jr., Conor O’Sullivan - ‘The Dark Knight’
Mike Elizalde, Thom Flout - ‘Hellboy II: The Golden Army’
Melhor direcção de arte
James J. Murakami, Gary Fettis - ‘Changeling’
Donald Graham Burt, Victor J. Zolfo - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Nathan Crowley, Peter Lando - ‘The Dark Knight’
Michael Carlin, Rebecca Alleway - ‘The Duchess’
Kristi Zea, Debra Schutt - ‘Revolutionary Road’
Melhores efeitos especiais
Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton, Craig Barron - ‘The Curious Case of Benjamin Button’
Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber, Paul Franklin - ‘The Dark Knight’
John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick, Shane Mahan - ‘Iron Man’
Para conhecer os vencedores, clique AQUI e para perceber um pouco melhor a cerimónia leia AQUI.
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Harvey Milk, mais que activista pelos direitos gay, foi uma personalidade fascinante que, infelizmente, sucumbiu como tantos outros que tentaram ser diferentes. O meu nome é Harvey Milk e estou aqui para recrutar-vos. Começava assim os seus discursos e como era possível reagir a uma militância e activismo tão grande, se não com um afirmação positiva e directa? Homossexual assumido, Harvey Milk conseguiu singrar onde poucos chegaram. O argumento de Dustin Lance Black é exímio no perscrutar contínuo da vida pessoal e política do personagem que largou um emprego enfadonho, para se dedicar a uma via mais livre e focada nos prazeres pessoais, como a fotografia. Mas rapidamente, Harvey Milk se tornou um ícone da política, em São Francisco, na década de 70.
Não tenho dúvidas que o Óscar de Melhor Argumento Original deva caber a Dustin Lance Black. Em nenhuma altura do filme encontramos filosofias baratas ou momentos enfadonhos. Tudo no argumento é interessante e entusiasmante. A realização de Gus Van Sant, por sua vez é brilhante, optando pelo registo documental e experimental, com uso de película que transmite o efeito antigo, tal como a utilização de imagens reais da vida de Harvey Milk e dos seus companheiros e oponentes. Até os próprios figurinos e cenários estão perfeitos, tendo o realizador optado por rodar o filme nos ambientes verdadeiros, numa recriação perfeita da loja que possuía na Rua Castro.

Nomeado para oito Óscares, Milk é uma das mais fortíssimas biopic já visionadas. Cada minuto da película vale a pena, nem que seja por ter aberto caminho não só para os direitos gay, mas para os Direitos Humanos. Harvey Milk disse que chegou aos quarenta anos e que ainda não tinha feito nada de útil. Os restantes anos até à sua vitória e morte foram servidos para colmatar essa lacuna. Pena que não tenha chegado aos 50, como infelizmente havia previsto. Mas nada disto lhe tira o mérito de ser uma figura incontornável do século XX.
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Como lidar com um enorme ponto de interrogação? É a pergunta que se impõe ao primeiro visionamento de Dúvida. E todo é um filme gira à roda dessa mesma interrogação, com assaltos constantes ao coração e à mente do espectador, provocando-lhe essa mesma dúvida.

John Patrick Shanley adaptou o seu grande êxito do teatro para o cinema, com resultados óbvios. Os maneirismos da peça estão lá todos: o mesmo dramatismo e voz firme, a mesma pausa entre diálogos, quase como que existe uma marcação, que exige que o público sustenha a respiração a cada frase. Tudo isso proporcionado por um cenário assustadoramente perfeito e minuciosamente detalhado, com o peso e rigidez de um colégio católico, das salas de aula e gabinetes austeros.
O filme é recheado de incertezas, nunca existem constatações ou factos, tudo sucumbe à dúvida da Irmã Aloysius, uma freira rígida e disciplinadora. A irmã Aloysius é um dos lados do braço de ferro que se opõe ao Padre Brendan Flynn. É o conservadorismo da Igreja Católica contra a percepção da necessidade de uma mudança e da tolerância. Todo o filme acarreta mensagens subliminares, creiamos nós em teorias da conspiração ou não, há muito de crítica no argumento de John Patrick Shanley. Desde a altura da peça, que venceu o prémio Pulitzer e Tony, a dimensão social descrita faz parte de um objectivo maior de instalar a dúvida, ilusão transmitida pelo espaço histórico do argumento: em 1964, após o assassinato de John F. Kennedy.
O filme é assente em actores. É e não nos cansamos de repetir um filme de actores. E isso podia ter resultado mal. Faz-nos pensar que se não fosse o fabuloso elenco do filme, o desastre que o filme poderia ter sido. Contudo, Dúvida é deliciosamente recheada de detalhes, assentes em dilemas morais que perturbam o mais incauto dos espectadores, com pormenores como lâmpadas que fundem constantemente, gatas que apanham ratos, vendavais e trovões, como que num género de aviso que vai soando ao longo do argumento.

Meryl Streep, arriscamo-nos a dizer, tem aqui uma das prestações mais bem conseguidas de sempre e uma das melhores do Cinema. Um dos raros casos em que um desempenho encarna a personagem, com contornos assustadoramente reais, em que o actor se sobrepõe à personagem. Meryl Streep é o braço rígido, a conformista freira que aparentemente beneficia a disciplina à tolerância e ao amor. O seu desempenho é digno de um Óscar, mas quando pensamos que a Academia está em débito com Kate Winslet há tantos anos, ficamos numa eterna dúvida. Curiosamente, a personagem da irmã Aloysius é mais do que a rigidez que aparenta, há nela uma enorme consciência social, a consciência da pedofilia, a inclusão do primeiro aluno negro num rígido colégio católico, a preocupação com uma freira envelhecida e um humor curioso, mordaz até. Já Philip Seymour Hoffman opõe-se. Um padre moderno, que gosta de usar as unhas compridas, que gosta de açúcar e do Snowman. E é esse um dos grandes suportes do argumento, o confronto, o duelo de titãs, a mensagem de tolerância e confluência de laicismo e secularismo, mistura de religioso e pagão, no sentido de uma modernização da Igreja Católica.

No plano secundário, mas igualmente brilhante, surgem Amy Adams e Viola Davis. A primeira tem uma personagem carinhosa e doce, numa grande personificação de dúvida e insegurança. A segunda provou que não são precisos mais de dez minutos, para se ser nomeada para um Óscar. Ambas dão consistência ao filme, que tende a dar atenção excessiva às personagens da Irmã Aloysius e do Padre Flynn. Ambas são o contrapeso da dúvida e da certeza, da insegurança e da resignação, dos ideais e da esperança.
Só assim se explica o facto de todo o elenco principal de Dúvida estar nomeado para os Óscares. É um grande filme de actores e para actores, como se viu quando Meryl Streep ganhou o SAG de Melhor Actriz. É a união perfeita de actores e personagens distintos, mas que espalham a dúvida, a incerteza no espectador, o preconceito e o perdão, a misericórdia e a culpa. É o argumento que espelha tudo isso, que invade o espectador e que se torna maior que o dilema moral.

Já os planos enviezados e oblíquos, parecem excessivamente desnecessários, numa alusão ao realizador Carol Reed, que venceu o Óscar em 1968 pelo musical Oliver!. Parece-nos que se contrapõe demasiado à rigidez e aos planos obtusos. Obtuso a nível mental, claro está. Ficamos na incerteza se o argumento vale o Óscar, mas reconhecemos a perfeita recriação de época e o dramatismo dos cenários. E o final, por exemplo, é a conclusão daquilo que o filme vai remetendo ao longo da acção: a dúvida. Absolutamente perfeito.
Dúvida é um grande filme que, mais que um dilema moral, é suportado por grandes actores e excelentes interpretações. Uma das maiores convergências de talento que já conhecemos.
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Superhero Movie
0 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009 às 20:49.Um Estrondo de Filme!. E que estrondo! Desde o terceiro filme do franchise Scary Movie que Craig Mazin lhe tomou as rédeas e, não fosse esse género de filmes suficiente, resolveu realizar também uma paródia aos filmes de super-heróis, os eternos blockbusters que garantem muitos espectadores. Os spoof movies, apesar da qualidade duvidosa constatada por muitos, é um subgénero que ainda atrai um público específico.

Desta vez vou inverter o sentido da crítica e dar logo a avaliação final. Sim, Superhero Movie é um filme a evitar, um filme que não traz nada de novo (se bem que nunca ninguém julgou que pudesse vir a trazer), mas não tão mau como Disaster Movie, por exemplo. O filme de Craig Mazin repete as mesmas piadas de sempre, os mesmos gags constantes, alguns de mau gosto, outros polémicos (veja-se o ataque a Dalai Lama), mas satirizando sobretudo o primeiro filme de Homem-Aranha. Curiosamente, a comparação até nem está mal feita, a história está relativamente bem adaptada. O problema é se o objectivo era satirizar, andamos a chegar ao limite do divertido e adequado, quase caindo para o inconveniente, despropositado. E se o filme não consegue libertar gargalhadas é porque não cumpriu o objectivo proposto.
Confesso. Superhero Movie - Um Estrondo de Filme! fez-me rir algumas vezes, tanto que o motivo pelo qual me levou a ver o filme foi precisamente o trailer longo, que não era mau de todo. Pena que alguns gags não tenham resultado, como o da inclusão à força de algumas personagens dos X-Men. O conceito é sempre igual, independentemente do spoof movie, mas há uns que saem ao lado. Este aconteceu-lhe o mesmo, mas houve alturas em que acertou na mouche. Principalmente no elenco. É claro que houve os típicos maus actores, que só de os ver, dá vontade de fugir durante alguns minutos, mas este contou com a presença de Christopher McDonald e do eterno Leslie Nielsen, que ainda conseguem converter alguns espectadores à sua piada, nem que seja pela convicção e expressão com que o fazem.

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É o género de filme que não nos leva a esperar muito. E isso é bom, não criar expectativas demasiado elevadas, porque no fim podemos surpreender-nos de uma forma muito mais positiva que o usual. Música e Letra não é, com toda a franqueza, um clássico, nem tampouco do melhor que já se fez. É antes de mais, um bom filme para ver num Domingo chuvoso, à tarde. É carinhoso, light e divertido. E isso já é bom.

Do autor de Miss Detective (Marc Lawrence), o filme prima pela não repetição dos mesmo conceitos básicos para os quais nos arrastam a maioria das comédias românticas. O argumento remete-nos para a nostalgia dos anos 80 e o pop contagiante que se fazia ouvir na altura. E PoP! Goes My Heart, música inicial da história e que nos contextualiza para o filme é uma recriação quase perfeita, das músicas pop e dos videoclips dos 80's. Curiosamente, deixa o espectador com o "tique da perna" e com a música no ouvido, forçando-nos a cantarolá-la.
Hugh Grant tem aqui uma prestação interessante, como já não via desde About a Boy e Love Actually. Coerente, divertida e convincente, dá-nos a conhecer um ultrapassado membro de uma banda, que teve outrora os seus momentos áureos, o que dá origem a divertidas peripécias. Já Drew Barrymore também tem um desempenho aceitável, no papel de uma jardineira de ocasião, hipocondríaca e que descobre que tem aptidão para fazer rimas e compor canções. O elenco conta também com a participação de Haley Bennett, principiante e que poderemos ver no novo filme Marley e Eu, no papel de uma cantora pop, muito semelhante em popularidade e aparência à Britney Spears de outrora. O seu papel, sem grandes diálogos ou importância primordial, acaba por ser divertido.

Não esperem muito do filme, mas a surpresa acaba por ser grande. É original (e isso é raro em nos actuais tempos de Hollywood) e contagiante. Dá para rir (ou sorrir apenas), toca no coração, nem que seja pela nostalgia dos anos 80.
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Son Of Rambow
0 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009 às 15:24.Quando começamos a ver Son of Rambow imediatamente percebemos que já fazia falta um filme e salta-nos da boca, quase sem querer, o adjectivo: despretensioso. O filme do amador Garth Jennings é uma viagem nostálgica ao universo das nossas infâncias (pelo menos a minha) e da adolescência de muitos, é um retrato carinhoso de uma época onde o VHS vingava nos leitores domésticos e se consolidavam clássicos, como First Blood, o primeiro filme de Rambo. Rambo este que serve de mote a todo o argumento.
Rapidamente somos conduzidos por uma louca viagem ao universo de duas crianças com uma imaginação fértil e propensas a problemas, mas ao mesmo tempo com uma tremenda sensibilidade artística e cinematográfica. Filho de Rambow - Um Novo Herói é o nascimento de um alter-ego de uma criança, a quem as convicções da família não lhe permitem integrar-se na sociedade, tal como as outras crianças. O argumento é também uma reflexão ao modo como o cinema nasce e cresce dentro de um cinéfilo.
Felizmente o realizador e argumentista não teve medo de infantilizar a sua obra e não caiu no estigma de intelectualizar o conceito por detrás do filme. As sequências animadas, fruto da mente do ingénuo Will, são um regalo para os olhos. O filme é repleto de personagens-tipo, que reflectem a sociedade dos anos 80, como os rufias, os adolescentes alucinados que se encontram na fase de experimentação e as meninas populares da escola.
As interpretações infantis são a mais valia do filme, com especial referência para Will Poulter cuja personagem Lee Carter, forneceu-nos dos momentos mais caricatos e emocionantes da película e o jovem Bill Milner, que transmite toda a inocência e ingenuidade necessárias. Curioso foi também o desempenho de Jules Sitruk, jovem francês que surge na trama através de um intercâmbio entre escolas de Inglaterra e França, e que proporciona divertidos momentos.
Surpreendentemente é um filme completo, uma comédia familiar simplista como há muito não se via em cinema, pena que não surjam obras destas mais vezes e que acabe por passar despercebido entre a vasta distribuição de blockbusters e filmes sem conteúdo.
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O título do novo filme de Mike Leigh, Happy-Go-Lucky, é uma expressão inglesa que define o género de pessoas que passam pela vida sem grande preocupações e genuinamente felizes. Assim se retrata Poppy, uma jovem professora da primária, para quem os lados menos bons da vida não lhe causam grandes preocupações, de espírito colorido e visão optimista. Este é o mote para o argumento de Mike Leigh, que surpreendentemente tem vindo a arrecadar vários prémios nos últimos meses e com direito a uma nomeação para os Óscares da Academia.

A película representa uma nova abordagem do trabalho do realizador que já recebeu seis nomeações para o Óscar e que nos trouxe filmes como o aclamado Vera Drake. Apesar dos holofotes a que tem sido submetido é, para mim, mais uma obra sobrevalorizada, devido ao nome sonante do realizador que carrega. Happy-Go-Lucky é uma comédia despreocupada, incoerente e irracional. O filme é um ensaio sobre a educação e a aprendizagem e de como o mesmo ensino, pode libertar ou prender uma pessoa. Por outro lado, contraria a miséria e a depressão presente em outros filmes do realizador, num retrato colorido dos despreocupados e livres. E se o argumento apresenta algo de bom é unicamente essa noção que podemos passar por uma vida de stress, mas com uma perspectiva optimista e divertida do futuro.
Um Dia de Cada Vez cansa logo de imediato. Tenta fazer valer-se do conhecido humor non-sense britânico, mas ridiculariza-se demasiado a si próprio, com diálogos repentinos que perturbam o espectador devido à sua noção ilógica e de pouco interesse narrativo. Aliás, o filme não apresenta um encadeamento narrativo de evolução, aparentando formar-se apenas de gags descontraídos e irracionais.

A personagem de Sally Hawkins apresenta um vazio ingénuo, que se degladia constantemente com a sua competência e profissionalismo. O seu desempenho já lhe valeu inúmeros prémios mundiais, incluindo o Globo de Ouro para Melhor Actriz de Comédia, o Leão de Prata em Berlim e dezenas de outros prémios. A actriz encarna bem a tarefa que tem à sua frente, pena que a sua personagem não mereça sinceramente o esforço. A personagem leva o espectador à exasperação constante e se era isto que o realizador pretendia, conseguiu. Por outro lado, o actor que a meu ver merece algum destaque será Eddie Marsan, que ganhou os British Independent Film Awards para Melhor Actor Secundário em 2004, por Vera Drake e agora por Happy-Go-Lucky. Os únicos momentos em que o filme finalmente me conseguiu arrancar algum sorriso (ou esgar, pelo menos) foram aqueles em assistimos ao seu caótico método de ensino En-Ra-Ha e às suas disputas com Poppy; pena que facilmente nos conduzam à exaustão.

Happy-Go-Lucky é, a meu ver, constantemente sobrevalorizado. Não pretendiamos uma comédia americana e comercial, mas também não é agradável o seu contínuo despropósito desconcertante. Vale pela sua moral de aprendizagem. Porque ser feliz e encarar o mundo de forma optimista pode ser aprendido.
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Basta ouvir falar em Clint Eastwood que os ouvidos de um cinéfilo mais atento, imediatamente disparam um aviso. Eastwood tem esse efeito nas pessoas, quer seja como actor ou como realizador, devido ao facto de ter imortalizado obras distintas em qualidade, como Cartas de Iwo Jima, Million Dollar Baby, Mystic River ou Unforgiven.
Há muito que não via uma obra de Clint Eastwood que dividisse assim tanto o público e a crítica em geral, apelidando o novo Changeling ora como uma obra-prima, ora como um filme menor. Muito culpa da diversidade e pluralidade que espreita em cada esquina do argumento e da prestação de Angelina Jolie, que alguns afirmam como uma escolha errada.

Clint Eastwood cria um filme activista, que ilude o espectador e que faz confundir realidade e ficção, tamanha é a fusão entre ambos. O argumento de J. Michael Straczynski (Babylon 5) é coerentemente inteligente, onde nada fica a despropósito, nada surge como acessório, mas como peças preponderantes para uma correcta percepção da história. A mesma história que é crua e fria na reconstituição da época e que conflui numa luta contra o sistema político corrupto e que tenta ocultar tudo o que surge contra a fachada de competência que enverga.

O filme é estonteantemente perfeito na recriação da época, quer seja nos ambientes cénicos, quer nos guarda-roupas. A música, por outro lado, ficou a cargo de Clint Eastwood, que na altura se dividia entre a composição da banda sonora e a realização do filme, bem como o seu desempenho no filme Gran Torino. A banda sonora que é um crime não ter sido nomeada para os Óscares, tamanha é a sua envolvência no argumento e profundidade musical.
O ponto mais delicado do filme é a prestação de Angelina Jolie. Habituados a vê-la em filmes de qualidade mais duvidosa e no género de acção, de início parece-nos megalómana a tarefa da actriz em interpretar a corajosa Christine Collins. Aliás, comentei logo a meio do filme, que me parecia que à sua prestação faltava-lhe substância. Contudo, houve uma cena do filme, em tribunal, cuja acusação contra Christine Collins foi a de ser uma mulher aparentemente indiferente, sem grande reacção dramática incontrolável. Ora, aqui percebi que a máxima "não é defeito, mas feitio" se aplicava como uma luva ao seu desempenho. Angelina Jolie cumpriu plenamente o propósito que Straczynski e Eastwood propuseram para a sua personagem e terá ido ainda mais além. O chapéu que lhe provoca um olhar semicerrado, faz de Christine Collins, uma das grandes personagens do ano, com uma energia e força incontestáveis, uma única mulher contra um sistema que sempre foi determinante na eliminação dos inconvenientes. Uma mulher contida e politicamente correcta, mas ao mesmo tempo com uma coragem invejável. Uma mulher que, apesar de tudo o que passou, nunca perdeu a esperança e nunca parou de lutar. Uma mulher que acredita na justiça, mesmo que tenha de a enfrentar. Uma prestação de Angelina Jolie que a coloca ao lado de mulheres como Kate Winslet e Meryl Streep e que não a deixa em desvantagem perante elas.

O maior problema do filme será sobretudo a focagem única na protagonista, deixando o resto como cenário, salvo algumas das cenas em que entra John Malkovich, que merecia mais algum destaque, nem que fosse num único argumento. Changeling é perturbador e forte, desconcertante até, como um murro no estômago e que nos deixa sem palavras. É uma história que concebemos ser possível acontecer a qualquer um, mas que nos faz temer essa mera possibilidade. É um filme diferente de Clint Eastwood, mas que merece um visionamento atento e que se dê uma oportunidade ao brilhante desempenho de Angelina Jolie.
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Slumdog Millionaire
1 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em domingo, 1 de Fevereiro de 2009 às 21:26.A esta altura, Slumdog Millionaire será um dos filmes mais aclamados e premiados do ano. Entre prémios e nomeações, o filme do realizador Danny Boyle (Trainspotting) e da co-realizadora indiana Loveleen Tandan, já fez um brilharete em tudo o que são galardões importantes a nível mundial, levou para casa quatro Globos de Ouro e teve 11 nomeações nos prémios BAFTA e 10 nomeações para os Óscares da Academia.

Slumdog Millionaire é uma verdadeira explosão de energia positivas, mesmo deixando o espectador exposto ao terceiro-mundismo numa Índia industrializada. Danny Boyle soube aproveitar uma época de mudanças para promover o seu filme, uma das questões já mencionei acima, quando a Academia tem nomeado sempre a sua quota de filmes indie nos últimos anos e quando o mundo começa a entrar na dita era Obama, de expectativas positivas para o futuro.

O filme é montado com mestria invejável, logo desde o início em que os slumdog, os indesejáveis da sociedade indiana, procuram sobreviver entre lixeiras e bairros de lata, onde o imperialismo e o oportunismo reinam. Os registos documental, biográfico, cómico, dramático e romanceado confluem todos, à medida que vamos assistindo à evolução do filme e da vida do seu protagonismo.
A fotografia e montagem do filme são poderosas. Somos obrigados a engolir o terceiro-mundismo da Índia, que não passa apenas pela pobreza, mas pelo abuso de uma sociedade superior, inclusive dos media, tal e qual como poderia suceder (e sucede frequentemente) no nosso país ou num perto de nós. A banda sonora é um dos maiores argumentos promocionais ao filme, da autoria de A.R. Rahman, que recebeu três nomeações para o Óscar de Melhor Banda Sonora e Canção Original.

Slumdog Millionaire comoveu-me e surpreendeu-me, mas não me desarmou. É um dos mais surpreendentes filmes do ano, mas não consegue atingir o apanágio do melhor. Há qualquer coisa que lhe falta, ao mesmo tempo que nos parece completo. É o dilema entre o experimental e o standard, que acaba por criar a apoteose do consumismo e do telelixo, ao mesmo tempo que luta contra isso. É independente e oportunista ao mesmo tempo, deixando-nos na expectativa de um empurrãozinho.
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Fresco e airoso, acabado de colher. É o que nos apetece comentar após ver Vicky Cristina Barcelona. Só o nome de Woody Allen, incontestavelmente um dos realizadores e argumentistas mais completos de sempre, pode trazer desde logo a ideia de filme de qualidade. Ainda para mais quando este é complementado com um punhado de bons actores e excelentes desempenhos à frente das câmaras.

Não é uma comédia como nos querem vender, não é também um grande drama ou um romance de faca e alguidar. Vicky Cristina Barcelona é antes um rol de multiculturalismo, com a cidade que dá nome ao filme como pano de fundo, para um cruzamento de diferentes personagens. Pena que a perspectiva fornecida por Woody Allen sobre a cidade, não é mais que a perspectiva turística. Todos os pontos turísticos de interesse estão lá, sem fazer com que a cidade se torne uma personagem, por si só, ao exemplo de como o realizador habilmente faz com Manhattan. A cor, o exotismo, a sensualidade, o espírito citadino e boémio de Barcelona estão ali completamente bem retratados.

No elenco, a qualidade é aquilo que veementemente mais salta à vista. Um Javier Bardem, cujo papel, ao contrário do que dizem por aí, exige muito de si, pela sensualidade e ousadia, à semelhança de um eterno macho latino. Uma Scarlett Johansson igual a si própria, divertida, estouvada, inconformada, insegura. Uma Rebecca Hall que se tornou uma das melhores surpresas do argumento, tendo a seu cargo a componente dramática e que merecia, seguramente, o Globo de Ouro pela sua prestação, mesmo que não se enquadrasse no rótulo de comédia. E por fim, uma Penélope Cruz, renovada e como há muito não a viamos: explosiva, determinada, com 'pêlo na venta' se assim me permitem a expressão. A sua nomeação para o Óscar de Melhor Actriz Secundária parece-nos justa, apesar de provavelmente não conseguir a estatueta. De qualquer modo, a actriz tem aqui uma grande parte do divertimento do filme: a agressividade, o génio e as calorosas discussões, com muito castelhano e palavrões à mistura, como uma verdadeira mulher mediterrânea. Já lhe fazia falta um desempenho assim.

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Noiserv – FNAC Santa Catarina, Porto
1 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em sábado, 31 de Janeiro de 2009 às 15:46.
Foi meramente por acaso que ouvi o trabalho de David Santos, mais conhecido nas lides musicais por Noiserv. No dia 24 de Janeiro de 2009, o artista deu um showcase na FNAC Santa Catarina, do Porto.
One Hundred Miles From Thoughtlessness é um nome complexo para um álbum de canções. A sonoridade remete-nos para isso mesmo. São cantigas criadas num ambiente sombrio e intimista, que exige auto-reflexão. Noiserv é alternativo e acústico, com uma vertente indie, a que consigo rapidamente assemelhar ao experimentalismo de David Fonseca.
David não tem uma presença segura, mas abstrai-se à medida que disseca cada som e cada expressão das suas canções em bonitos momentos melodiosos. No seu trabalho, Noiserv faz-se valer de caixas de música, pequenos ruídos mundanos, sintetizadores e xilofones, que exibem a cada nova canção o retrato do seu autor. Nota-se a honestidade com que o cantor revela todo seu âmago, com uma conotação lúgubre, que faz com que seja difícil o público não se emocionar.

David Santos é apenas um rapaz e é isso que traz a novidade e o divertimento da sua música. A espontaneidade e inocência estao lá, o talento também. Vale a pena estar atento a Noiserv.
http://www.myspace.com/noiserv
http://www.lastfm.com.br/music/Noiserv
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"Bonito" é um adjectivo que os críticos não costumam usar quando se referem a um filme. "Bonito" é usualmente associado a uma menor qualidade do argumento, quase um guilty pleasure. Porém, August Rush - O Som do Coração é um desses filmes bonitos, não necessariamente menores, mas que nos garantem uma boa dose de emoção.

Em dada altura, o filme faz-nos lembrar Oliver Twist, de Charles Dickens, com uma diferença: o grupo de crianças é usado, não para roubar, mas para tocar, como meio de ganhar dinheiro para Wizard (Robin Williams). Ao mesmo tempo que August Rush revela o seu talento inato para a música, tornando-se uma inegável versão contemporânea de Mozart, o produto do seu trabalho musical conduz a uma sucessiva aproximação dos seus progenitores e de si próprio.
August Rush - O Som do Coração não é perfeito, pelo contrário, é um filme mediano, onde o argumento poderia ter ido mais longe e não se tornado mais que um mero romance a cair para o lamechas. Contudo, conforme já referido é um filme bonito que cativa, pelo menos, a emoção e a fantasia. A banda sonora, no entanto, está muito bem construída e torna-se a base de todo o filme, com a canção Raise It Up, de Jamal Joseph e Charles Mack, a ser nomeada para a categoria de Melhor Canção Original, nos Óscares de 2008.

Pouco mais que um guilty pleasure, que sabe bem ver num serão, mas que acaba por ser uma lição de vida, de persistência e amor, num bonito filme.
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Uma típica comédia americana, sem graça e que continua a perseguir Anna Faris com o estereótipo da "loura burra".
O conceito inicial de A Casa das Coelhinhas é a comum silly comedy. A Mansão da Playboy faz parte do imaginário do mundo masculino e talvez este tinha sido um pretexto para fazer um filme que levasse muitas pessoas ao cinema, com uma ideia politicamente incorrecta.

Anna Faris vê-se mais uma vez remetida para uma típica comédia americana, capaz de nos deixar a pensar se a actriz nunca se conseguirá distanciar deste género de filmes. Tanto que ficou conhecida pelas suas participações em Scary Movie. Anna Faris não tem aqui uma má interpretação, pena que acabe por ser condenada ao eterno estereótipo de loura burra, com direito a diálogos menos inteligentes e as constantes quedas.

De destacar a presença de Hugh M. Hefner e Beverly D'Angelo, no elenco do filme, pena que não lhes tenha sido dado muito espaço de manobra no sentido interpretativo, pela pouca profundidade das suas personagens. Por seu lado, a jovem Kat Dennings demonstra que, a ser dada oportunidade, se tornará cada vez mais uma excelente actriz e em diversos géneros cinematográficos.
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Um intenso drama suburbano, com excelentes interpretações.
Foi provavelmente a maior das surpresas na nomeação para os Óscares deste ano. Revolutionary Road, contra todas as expectativas, apenas recebeu três nomeações, duas delas em categorias técnicas, mesmo depois de quatro nomeações importantes tanto nos Globos de Ouro como nos BAFTA, tendo ganho o Globo de Ouro para Melhor Actriz, pela interpretação de Kate Winslet. Revolutionary Road foi trocado, em preferências, por The Reader, outro filme que conta com o protagonismo de Kate Winslet. Enquanto The Reader não chegar ao nosso país, nunca saberemos o porquê, mas Revolutionary Road será das melhores adaptações dramáticas dos últimos anos.

Baseado no romance homónimo de Richard Yates, Revolutionary Road, realizado por Sam Mendes (Beleza Americana) revela uma intensa carga dramática como há muitos anos não se via no grande ecrã. Um jovem casal atingido pelo conformismo dos subúrbios de Connecticut, durante os anos 50, tenta superar os seus problemas familiares, enquanto tentam criar os filhos de uma forma digna, ao mesmo tempo que tentam fugir das convenções típicas da sociedade da época.
Revolutionary Road será dos argumentos mais sombrios escritos acerca do casamento e juntar o eterno par romântico Leonardo DiCaprio e Kate Winslet no mesmo filme, aparentemente provocaria um suicídio cinematográfico. Surpreendentemente não foi isso que aconteceu. O filme é capaz, simultaneamente, de nos fazer sorrir, como de nos revoltar as partes interiores. Balança entre o inconformismo e a fantasia, passando pelo adultério e pelo o aborto, com tal componente dramática bastante activa.

A realização, os planos estáticos de algumas cenas, tudo isso contribui para transmitir respeito pelo filme. Sam Mendes, depois do grande sucesso de Beleza Americana e Road to Perdition, arrisca-se a criar um novo fenómeno de culto, desta vez das mentes mais literatas. O argumento não é claramente inovador, mas tratando-se de uma adaptação fiel ao original, era impossível que isso acontecesse, portanto coube aos protagonistas dar um grande impulso ao mesmo.
É impossível dizer qual dos dois esteve melhor: se Kate Winslet, se Leonardo DiCaprio. Kate Winslet tem aqui uma das suas melhores interpretações de sempre e se, foi nomeada pela sua interpretação não por Revolutionary Road, mas sim por The Reader, leva-nos a crer que o seu papel romperá os limites da perfeição. Winslet demonstra um tremendo à-vontade em grande maioria das cenas (desculpem-me os anti-tabagistas, mas as cenas em que a protagonista fuma um cigarro são de extrema sensualidade). O dramatismo que consegue imprimir a April Wheeler confirma Kate Winslet como uma das mais versáteis actrizes da actualidade.

Por sua vez, Leonardo DiCaprio consegue, a dada altura, roubar o protagonismo de Kate, revelando a sua maturidade e crescimento a nível profissional. A sua personagem Frank Wheeler é burocrática, complexa, rodeada entre o inconformismo e o conformismo e merecia mais a nomeação que Brad Pitt. Ao mesmo tempo, a grande surpresa surge do lado de Michael Shannon, com uma personagem alienada da sociedade, vítima de aparente insanidade, mas que revela uma sabedoria incomum, tornando-se uma figura emblemática do filme e que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário.
A banda sonora de Thomas Newman, foi infelizmente afastada dos Óscares, mas consegue despoletar o intenso descoforto que é assistir ao filme. Não de uma forma negativa, mas conforme já mencionado, o filme consegue a proeza de nos revolver as entranhas e isso é de elogiar numa longa-metragem.

Revolutionary Road não é um filme que se veja todos os dias, é necessário reunir uma enorme quantidade de pré-condições visuais para se conseguir avaliar todo o conjunto. Vê-se uma vez, deixa-nos revoltados com tremendo dramatismo e deixa-nos a admirá-lo ao longo dos anos.
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Nunca gostei de filmes históricos. Sempre questionei que Keira Knightley tivesse começado quase a especializar-se em filmes históricos. À partida, A Duquesa seria um filme que não me daria ao trabalho de ver, mas o trailer do mesmo provocou-me interesse na película.

A Duquesa é um filme rico em vários sentidos. Os cenários são soberbos, bem como a maquilhagem, a fotografia e o guarda-roupa. Os ambientes de época são sempre interessantes em pormenores e este não é excepção. A Duquesa gira em torno da moda dos filmes históricos se centrarem, não nos grandes factos da História, mas sim da vida íntima das cortes. Isso aconteceu em filmes como Marie Antoinette e Elizabeth - A Era de Ouro, entre outros.

Saul Dibb diferencia-se dos seus trabalhos anteriores, um documentário e um filme de acção, criando um excelente retrato da época, com abordagem maioritária da condição feminina da altura e os efeitos comportamentais consequentes de uma atitude que violassem os conceitos vigentes. O argumento de A Duquesa possui uma excelente construção de personagens, que deu grande facilidade aos actores. Não foi por acaso que Ralph Fiennes ficou nomeado para os Globos de Ouro, pela sua prestação enquanto actor secundário. Por seu lado, obviamente que a trajectória emocional e amorosa não ficou esquecida, com uma percepção ingénua do casamento, seguida de uma abordagem dos deveres matrimoniais, concluindo com a constatação da instabilidade emocional e condições humilhantes, sofridas por Georgiana.

De elogiar também a prestação de Keira Knightley, que tem aqui uma prestação mais madura e consistente, mas que ainda não me surpreende totalmente. Contudo, existem determinadas sequências em que actriz está praticamente perfeita, sobretudo os de maior carga dramática, não caindo nos habituais vícios de reacções forçadas. Por sua vez, Ralph Fiennes tem aqui uma prestação mais contida em termos argumentativos, com uma personagem austera, complexa e repleta de conflitos internos e externos. Contudo, a surpresa surge no papel Dominic Cooper, que interpretou o jovem nubente Sky em Mamma Mia!. Enquanto que em Mamma Mia! a sua interpretação deu a conhecer um actor fraco, em A Duquesa, Cooper revelou que até não é mau actor, conseguindo contracenar de forma exímia com Keira Knightley.
Apesar de vacilar um pouco no romance adúltera de Georgiana, A Duquesa é um grande drama história que surpreende bastante e que cujo material original é instigante e garante qualidade ao argumento.
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O Estranho Caso de Benjamin Button
5 Comentário(s) Pisado por Tiago Ramos em terça-feira, 13 de Janeiro de 2009 às 17:36."Nasci sob circunstâncias pouco usuais". Este é o mote para a história de Benjamin Button, um homem que nasce com cerca de 80 anos e, à medida que os anos vão passando, começa a rejuvenescer. O Estranho Caso de Benjamin Button é tão pormenorizado, que tenho medo de não conseguir comentá-lo à altura.

O filme brilha desde logo pelos ambientes cénicos e pela caracterização. Se à partida parecia demasiado fantasioso imaginar algo semelhante, a verdade é que somos levados a acreditar que rejuvenescer, em vez de envelhecer, é verosímil. O processo de caracterização do actor Brad Pitt é pormenorizado e completo, salvo alguns erros menores. A história é contada a partir de Nova Orleães, no fim da I Guerra Mundial em 1918, passando pela II Guerra Mundial, Guerra Fria, até ao século XXI. David Fincher consegue realizar essa tarefa que, à partida, nos parecia megalómana, sendo fiel aos factos históricos, incluindo cenários, trajes, comportamentos...
O trabalho do realizador é intemporal, arriscando tornar-se um grande clássico da história do cinema. A construção do filme e do argumento de Eric Roth e Robin Swicord é feita de forma a que o mesmo se assemelhe a uma biografia, narrada pelo próprio, desde o nascimento até à morte. O interessante é que apesar de ser o filme mais completo que vi até ao momento e apesar das fascinantes personagens, histórias e acontecimentos paralelos, tudo se complementa e destaca o personagem principal.
O Estranho Caso de Benjamin Button é o mais bonito romance que já alguma vez vi. Eu confesso que bem tentei encontrar erros crassos, algo que deitasse por terra todo o destaque dado ao filme, mas não consegui. Está lá tudo e muito bem feito. Desde os cenários e caracterização (já mencionados), bem como a banda sonora, as interpretações, direcção artística e fotografia.

Ao plano das interpretações secundárias, surge o brilhantismo de Taraji P. Henson. Queenie é a mãe adoptiva de Benjamin Button, se assim lhe quisermos chamar e que tem uma grande importância no argumento, à qual Taraji conseguiu imprimir todas as qualidades desejáveis. Por outro lado, a surpresa cai também em Tilda Swinton, vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária em 2007, por Michael Clayton. O papel desempenhado pela actriz é portentoso, de uma mulher surpreendentemente interessante e que suportaria, por si, um único argumento a si dedicado. Uma nota também para Julia Ormond, cuja presença por si só já é de elogiar.

O único ponto que em princípio poderíamos negativizar seria a duração do filme, afinal são quase três horas de acontecimentos, histórias e épocas, que quase nos impedem de respirar, com medo de perdermos algum pormenor importante. Contudo, nem isso se torna negativo. Compreende-se logo que a duração assim o é porque não havia outra forma de o fazer sem diminuir a qualidade do argumento.

Não percam sobretudo as sequências finais, que são de extrema emoção, capazes de levar o espectador mais insensível às lágrimas.
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Uma sequela de um franchise que se estende para além do devido. No entanto, acaba por se tornar mais consistente que as anteriores.

Apesar de Saw V - A Sucessão acabar por se tornar monótono, acaba por seguir um caminho menos gore que os anteriores, com menos armadilhas ousadas e consequentemente menos sangue. David Hackl, anterior produtor designer, acaba por tomar as rédeas ao quinto filme da saga e desenvolve um argumento mais consistente que os anteriores. Por consistente não podemos entender que seja um capítulo com mais qualidade que os anteriores, mas pelo menos não se faz valer de tanto sangue e gore para conseguir vender o filme, tornando-o, no mínimo, mais credível.

Quanto a interpretações, a ausência de Tobin Bell ou a sua presença em apenas alguns flashbacks da história acabam por deixar as expectativas um pouco aquém do esperado. Se Tobin Bell era a estrela do filme em termos de elenco, os actuais actores deixam bastante a desejar a níveis interpretativas. Aquele que, a meu ver, apresenta mais erros crassos de interpretação e credibilidade é Costas Mandylor. O actor não é um discípulo à altura de Jigsaw ou até da anterior seguidora Amanda (Shawnee Smith).
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Este conta a história de uma aristocrata inglesa, Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman), cujo marido, desesperado por arranjar dinheiro, foi para a Austrália, onde preparou a venda do seu último bem: uma quinta de gado, “Faraway Downs”. Suspeitando dos seus planos, Sarah vai para lá, com destino a Darwin.

No entanto, não é recebida pelo marido, mas por um vaqueiro interpretado por Hugh Jackman. Na viagem para "Faraway Downs" Sarah e o vaqueiro revelam uma profunda e mútua antipatia. No mesmo dia em que chega à quinta, Sarah é informada que o marido foi assassinado perto do rio. Após uma inesperada mudança nos acontecimentos, Nullah (Brandon Walters), uma criança aborígene encantadora, surge, de repente, na vida de Sarah. Nullah revela a Sarah que nem tudo é o que parece: o cruel responsável pela quinta, Neil Fletcher (David Wenham) tem uma parceria secreta com o maior proprietário de gado, King Carney (Bryan Brown), e juntos conspiram para ficar com suas terras. A partir daqui, desenrola-se uma história emocionante com um fim esplêndido.

O início da Segunda Guerra Mundial, os bombardeamentos, a instabilidade e os direitos dos aborígenes são apenas alguns temas que surgem com enorme força ao longo do filme. Australia é a mais cara produção cinematográfica do país e é, sem dúvida, um filme que marca. Não é apenas uma lindíssima história de amor; é também um grande pedaço de magia e de História e de direitos humanos. Vale mesmo a pena vê-lo!
Aqui fica o trailer:
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Mais que um filme de terror, O Orfanato é um drama agudo, de uma mãe desesperada em procura da verdade e um retrato agonizante de uma terrível infância. Na realização, destacam-se sobretudo as câmaras, que envolvem o espectador e as personagens, dramatizando em pontos-chave a cena, tornando-a ainda mais realista.

O Orfanato tem uma mensagem profunda de amor materno e a actriz espanhola Bélen Rueda monopoliza o argumento com uma mestria invejável e torna-se, assim a meu ver, o melhor desempenho do ano. O Orfanato venceu 30 prémios, de onde se destaca o Prémio do Fantasporto para Melhor Actriz e Melhor Realizador, inúmeros prémios Goya, entre outros.
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Georgiana, The Duchess of Devonshire: Oh, let them talk!
The Duchess (2008)
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